Publicado por: nadioli | 16/03/2011

14 de março de 2011

Olá,

Está semana apresento um céu diferente, um céu de sol nascente, com quimonos, samurais, teatro kabuki, saquê,  ikebanas e haikais.

Beijos e boa semana,

Nádia Oliveira

Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.

Matsuo Basho (1644-1694)

Acima temos um tradicional haikai que é uma pequena poesia com métrica e molde orientais, surgida no século XVI, muito difundida no Japão e vem se espalhando por todo o mundo. Poesia simples baseada na observação e contemplação. Um dos mais tradicionais poetas é Matsuo Basho, monge Zen do século XVII.

“Os poetas japoneses sabiam como expressar suas visões da realidade numa observação de três linhas. Não se limitavam a simplesmente observá-la, mas, com uma calma sublime, procuravam o seu significado eterno. Quanto mais precisa a observação, tanto mais ela tende a ser única, e, portanto, mais próxima de ser uma verdadeira imagem. Como disse Dostoievski, com extraordinária precisão: A vida é mais fantástica do que qualquer fantasia.”
Andrei Tarkovski, no livro “Esculpir o Tempo”.


Tsunami – aprendendo com as ondas


Os cavalos de Netuno-Vinicius Lima

 

Mergulhamos em tantas notícias e informações sobre os últimos acontecimentos no Japão, uma catástrofe que ceifou tantas vidas. Uma catástrofe natural duramente agravada, pela construção de obras humanas, neste caso: a Usina Nuclear de Fukushima. O que se viu foi um forte tremor de terra (9  graus de magnitude na escala Richter) seguido por um forte tsunami, seguido por um vazamento de uma usina nuclear.

Tsunami, é uma palavra de origem japonesa, que significa: onda de porto. Não por acaso a origem da palavra é japonesa, afinal este país é estruturado sobre um arquipélago, formado por quatro grandes ilhas, se encontra em uma região de forte atividade sísmica. A própria origem da ilha se dá pelas atividades sísmicas da região ocorridas a cerca de 408 milhões de anos atrás.

O impacto se deu sobre questões ambientais, econômicas, sociais e obviamente humanas. E se pode afirmar que no mundo globalizado que vivemos, sofremos enquanto planeta um duro golpe nestes últimos dias: aquela parte de nós, que é o Japão foi atingido fortemente.

Neste artigo não pretendo abordar as explicações técnicas e geológicas que provocaram o fenômeno, nem abordar jornalisticamente, apresentando dados estatísticos de mortos, feridos e desamparados. Obviamente me curvo à dor de uma parte de mim, de meu planeta que sofre. Mas o que me proponho aqui é  uma reflexão esotérica e buscar ir além do véu de Maia que cerca uma tragédia deste porte.

A força do ascendente em capricórnio do mapa do Japão (para Constituição do pós guerra), já nos alerta para as grandes transformações que o país deve passar nos próximos anos. De janeiro de 2008 até novembro de 2024, Plutão, grande mentor das transformações na Astrologia, está transitando no signo de Capricórnio. Não é de se estranhar que nações que tenham este signo forte também sofrerão inexoravelmente as mudanças desencadeadas por tal posicionamento astrológico.

Plutão ainda se encontra em seus primeiros graus e está na cúspide da décima segunda casa do mapa do Japão, atravessando uma zona do mapa considerada insegura, normalmente no mapa individual relacionada com inconsciente, passado e karma. Uma nação ter conseguido se estabelecer territorialmente sobre uma zona perigosa geologicamente pode resultar “naturalmente” em uma catástrofe deste porte. A catástrofe natural, então é algo que não pode surpreender, faz parte da própria história do país.

Plutão, neste período, por trânsito tensiona uma zona bastante crítica do mapa japonês: Vênus-Marte em Áries oposto Lua-Netuno em Libra. O planeta Vênus aqui, ganha uma importância capital, porque é o regente da casa quatro, que neste caso representa o território japonês. A tensão natural de Vênus no mapa (Vênus exilado, conjunto a Marte domiciliado e oposto a Lua, regente natural da casa 4 e de Netuno, regente natural da casa dois, que trata dos recursos do país, incluindo os recursos naturais), já aponta para uma instabilidade genuína do país e de seus recursos. E é esta tensão que vem sendo acionada por Plutão nos últimos meses: quadra ao mesmo tempo: Vênus, Lua e Netuno.

Ao mesmo tempo, a ação de Saturno sobre a Lua-Netuno e oposto a Vênus-Marte representava um forte alerta a situação e seu agravamento. Entre dia 11 e 12 último Urano começou uma conjunção com Vênus e se opõe a Netuno no céu. É o grande estopim ampliado pela força de Júpiter.

Devo ainda salientar uma relação possível entre Plutão e Urano com plutônio e urânio e aqui a questão nuclear torna-se um fator de alto risco.

Em Astrologia Esotérica, associamos Plutão ao chamado primeiro raio ligado a Vontade e ao Poder. É considerado de mais forte e violento impacto. Capricórnio está sob influência do Raio 1, 3 e 7. Portanto a ação do raio 1 nesta fase é bastante intensa. O raio 7, também ganha forte influência, pois conduz a manifestação da energia, a radioatividade está fortemente associada a ação deste raio, que no momento presente pode ser simbolizado pela entrada de Urano no signo de Áries:  Urano (sétimo raio) entrando em Áries (primeiro raio e sétimo raio) se opondo a Netuno-Lua, planetas que esotericamente se relacionam a Câncer, outro signo relacionado ao Raio 3 e 7. A conclusão disso tudo, é que a combinação destes raios impõe fortes mudanças no planeta.

Aqui podemos refletir o quanto é necessário o uso correto dos recursos do planeta. Através de uma  triste metáfora, podemos dizer que o Japão possui em si a energia da bomba atômica e novamente ela explode em suas mãos. Um uso consciente dos recursos naturais deve resultar em melhores consequências.

A memória coletiva registra toda uma comoção nacional e internacional diante das mortes, do impactos das duas bombas atômicas de 1945, dos tremores sísmicos constantes que este país sofreu desde sua formação geológica.

É preciso libertar-se deste passado, registrado no Japão e na humanidade como um todo, e até na memória do planeta. Capricórnio e Saturno estão de alguma maneira vinculados ao carma, tanto no sentido individual como coletivo. Plutão transitando por este signo nos remete a uma libertação ou melhor ainda  a uma transformação necessária.

Além da questão natural, os aspectos astrológicos apontam para questões financeiras, e o impacto deve realmente ser grande para a economia japonesa e mundial.

Deviamos recorrer mais aos conhecimentos budistas sobre o princípio de impermanência, ou seja, aprender a não  lidar com um planeta utilizando seus recursos até o seu extremo, sem considerar a possibilidade de sua finitude, afinal achar que o tempo todo tudo sob nosso controle, chega a ser infantil.

Como já foi dito, o efeito da globalização coloca todo o planeta sintonizado ao que ocorre em terras japonesas, as imagens e notícias em tempo real, permite viver no que existe de bom e mau do mundo inteiro. E assim, somos profundamente tocados pelo que acontece no Japão: somos o Japão e o Japão é parte de nós. O impacto emocional é imenso, nos assustamos diante da catástrofe natural, e com a força dos tremores de terra e a ação das águas, perigosamente aumentadas  quando unidas a exposição da radiação causada pela obra tecnológica humana.

O vivenciar a situação que acontece no Japão em tempo real, permite estar mais próximo ao epicentro, e obviamente cria na humanidade duas reações, que podem ser positivas: a compaixão e o medo. A compaixão nos ajuda a curar a ferida aberta, mas e o medo? Sabemos que lidar com o medo é mais complicado, não se pode cair aqui no Maia coletivo de um mundo a beira de um colapso, da destruição do planeta e da autodestruição da humanidade, o medo deve, coletivamente, conduzir a uma atitude mais consciente no cuidado e trato do planeta: minérios, solos, mares, atmosfera e biosfera.

Diante dos últimos acontecimentos a humanidade humildemente se ajoelha (Capricórnio se relaciona os joelhos) e se transforma. Talvez este seja um dos maiores desafios que Plutão nos apresenta ao atravessar os primeiros graus de Capricórnio.


Um pouco mais sobre a impermanência

Um conto zen

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.

“O que vós desejais?” perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

“Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria,” replicou o professor.

“Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem,” disse o Rei, divertido, “Este é o meu palácio.”

“Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?” perguntou o mestre.

“Meu pai. Ele está morto.”

“E a quem pertenceu antes dele?”

“Meu avô,” disse o Rei já bastante intrigado, “Mas ele também está morto.”

“Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem – vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?”

As imagens abaixo mostram a construção de lindas e detalhadas mandalas feitas por monges budistas usando grãos de areia coloridas. Depois de cuidadosamente feitas, as mandalas são desmontadas. Trata-se de um exercício de impermanência, afinal tudo passa.

 

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Responses

  1. Amei!!!! Liiiiiiiindo!!!!As melhores energias para nossos imãos…

  2. Olá!!! Não poderia deixar de dar meus parabéns por seu excelente trabalho! Gratíssimo!!!!!
    bjo

  3. Amiga Nádia, meus parabéns, simplesmente sensacional este texto de sua análise sobre o Japão e os dias atuais, e como peço sempre em minhas orações, “que nossos pedidos e mentalizações se somem aos pedidos de outras pessoas pelo mundo, formando uma grande corrente energética, por um mundo melhor”.
    Bjs

  4. Nádia, querida, você conseguiu sintetizar em palavras as sensações e pensamentos que todos temos neste momento. Somos um todo, indivisível, e o que acontece ao nosso redor acaba gerando um tsunami espiritual que assola a todos.
    Tratemos de elevar nossa visão sobre todas as coisas!

    Beijos!

  5. Muito bom Nádia!
    Beijos


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